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terça-feira, 24 de setembro de 2024

Contexto social e político dos finais do século XIX e início do século XX no Brasil

Contexto social e político 

    Nos finais do século XIX e inícios do século XX, começa o Realismo no Brasil. O ambiente é de decadência social, de instabilidade política e social, em que surge um novo quadro: as classes médias urbanas, que se pautavam pela instabilidade e novos anseios.
    Tínhamos, por um lado, ideias liberais, abolicionistas e republicanas e ainda influências do pensamento europeu com o positivismo e evolucionismo.
    Todas as ideias vindas da Europa provocam uma alteração do quadro social e dos costumes. Começa a haver uma mescla de culturas no Brasil (característica da própria fundação), devido à densa emigração que se fazia para esse país.
    Em Portugal, vivia-se uma crise económica, por isso as pessoas emigravam para o Brasil, provocando uma alteração na sociedade e uma mescla de culturas. Daí o Brasil ter ainda hoje uma grande gama e diversidade de etnias.


Contexto literário

    O contexto social e político exerce grande influência no contexto literário. Os ideais liberais da classe média urbana, sobretudo os ideais políticos, as ideias positivistas e deterministas são importantes na conceção do romance realista.
    Assim, surgem características fundamentais no contexto literário:
  1. Oposição ao excesso sentimental do Romantismo.
  2. Aproximação do autor daquilo que narra, mas menos intensa no sentido da objetividade.
  3. Certo desencanto: todo o Realismo se pauta pelo desencanto, que já aparecia na obra Memórias.
    Na ficção, os romances de costumes impõem-se e, de certo modo, Memórias também era um romance de costumes, ao contrário de Senhora.
    O romance de costumes é típico do Realismo, logo há um aprofundamento dos costumes da época, em que o autor vivia. No Romantismo, tomavam-se temas distantes no tempo (ex.: Iracema).
    O Realismo pauta-se pelo estudo da realidade atual. No Realismo, os costumes são:
        - processo de ascensão da burguesia: surgem valores como a falsidade;
        - vida social e pública (aspetos negativos);
        - contraste da vida íntima, principalmente a aparência (o que se mostra e o que é na realidade).
    Estes são três tópicos importantes na análise de costumes da ficção realista. Para este estudo, procuram-se causas, quer naturais (clima e raça), quer culturais (educação). Grande parte dos processos têm origem na educação e no meio em que se insere a personagem. Passa-se de uma idealização típica do Romantismo para o domínio dos factos / factualidade tipicamente realista.
    A nível da estrutura, o romance realista tem características especiais:
  1. Diferente relação que se estabelece entre o escritor e a obra, que se pauta pela objetividade.
  2. Distanciamento do fulcro subjetivo.
  3. Aceitação da realidade tal como é percebida e não idealizada, como se observava no Romantismo.
  4. Recorrência ao tipo e à situação típica (já patente em Memórias). Bosi diz que o uso da situação típica é uma conquista do Realismo.
  5. Estruturação impessoal, que está relacionada com a aproximação do narrador à obra, apresentação de tipos, etc. Desta estruturação impessoal resulta um certo fatalismo e desencanto.
  6. Espera-se maior lógica na organização dos episódios. Se se pretende analisar o comportamento da personagem, ela tem que ser acompanhada continuamente. A situação de causa-efeito vai ser utilizada no Realismo de modo diferente: expõe-se uma tese e tenta comprovar-se. Mas o processo e os resultados são diferentes no Realismo. Há um certo determinismo no trabalhar das personagens. A causa-efeito que existe no Realismo é enformada pelo determinismo, que não aconteceria no Realismo.
  7. Maior rigor e objetividade na construção.
    Realismo e Naturalismo -» romance
    
    Parnasianismo -» poesia

    As características do realismo encontram-se também no Naturalismo. Este movimento separa-se do Realismo quando se submetem as personagens à lei natural, a um determinismo. Ambas as escolas literárias se ligam ao romance, enquanto o Parnasianismo se liga a uma poesia que cai na técnica de aperfeiçoamento técnico e estético. Há a procura da objetividade e rigor. De tal modo se procura a objetividade técnica e estética, que se cai no Parnasianismo.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

O Realismo na literatura brasileira

    Em Portugal, a ideologia subjacente é marcada pelo:
    => Irreligiosismo: agrada-lhes uma religião sem dogmas, de cunho panteísta. Assumem atitudes marcadamente anticlericais.
    => Inconformismo com a tradição: acreditam que a consciência humana não mais se importará com os entraves que lhe opunha outrora a sociedade absolutista, burguesa e feudal.
    => Supremacia da verdade física: as verdades metafísicas e morais são relegadas para o mundo das conjeturas.
    => Novas teorias filosóficas: a Geração de 70 estuda com avidez:
            - o idealismo de Hegel;
            - o socialismo de Proudhon;
            - o positivismo de Comte, etc.

    A estética literária tem as seguintes características:
    => Conteúdo ideológico profundo: a literatura devia inspirar-se nas correntes filosóficas e sociológicas modernas para exprimir a real problemática do homem da época.
    => Impassibilidade na análise do real: reage contra o idealismo e as atitudes emocionais enfáticas e hiperbólicas dos românticos e advoga a análise, síntese e exposição da realidade, com neutralidade de coração. Não dará nomes belos ao que é imoral e baixo, nem encobrirá as reais consequências do crime.
    => Crítica social e de costumes: olhavam o passado como estéril. Os realistas descobrem e atacam a imoralidade e os maus costumes. Esforçam-se por relacionar as causas (biológicas, sociais) do comportamento das personagens do romance com o tipo desse mesmo comportamento.
    => Técnica narrativa e descritiva perfeita: descrevem e narram de maneira que a obra literária não seja mais que um puro reflexo da realidade. Os escritores usam:
            - expressão simples
            - tom desafetado

    No caso do Brasil, no período do Romantismo, com José de Alencar e M. A. de Almeida, tínhamos a ficção: o romance fisiológico e de costumes. Esta narração dos costumes marcou o início do século XIX, porém, as coisas modificam-se e começa a notar-se a penetração de falsos valores.
    No Romantismo, havia um grande nível de idealização e com o Realismo esses véus idealizantes retomam tudo o que estava mal: na sociedade, na família, a nível político, económico e social.
    Para explicar o que estava mal, procuram causas: naturais (raça e clima) e sociais (meio e educação). O objetivo do Realismo era descobrir a verdade, através das causas que explicam um certo comportamento. Vão analisar os comportamentos, tentando descobrir as causas.
    Bosi (pg. 188) refere algumas afirmações de realistas franceses que mostram uma certa poética do Realismo:
  1. Flaubert: "Esforço-me por entrar no espartilho e seguir uma linha reta geométrica: nenhum lirismo, nada de reflexões, ausente a personalidade do autor."
  2. Jules e Edmond Concourt: "Hoje, quando o romance cresce e se amplia, quando começa a ser a grande forma séria, apaixonada, vida, do estudo literário e da pesquisa social, quando ele se torna pela análise e pela sondagem psicológica a história moral e contemporânea; hoje, quando o romance impôs a si mesmo os estudos e os deveres da ciência, ele pode reivindicar-lhes as liberdades e a franqueza."
    Estas afirmações são importantes para se observar como se entendia o Realismo na Europa.
    Tópicos principais destas citações:
        - conhecimento objetivo;
        - função do romance realista: este, mais que forma literária, é também histórica de costumes e análise social. Assim, as duas linhas de pensamento realista são:
                - procura da verdade;
                - análise de costumes.
    Muitos destes princípios vão ser mais desenvolvidos pelo movimento posterior: o Naturalismo, escola que se segue ao Realismo e leva certos aspetos ao exagero. Uma obra pertencente ao Realismo é O Cortiço, de Aluísio de Azevedo.
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